quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Bomba !.... Oliveira!.... A Liga ! a SPORKTV !

                                    O CLUBE DO SISTEMA "HOJE CORRUPTO"


Perspectiva real do Sistema


9 de Janeiro de 201
A entrevista que o ex-jogador e ex-treinador do FC Porto, ex-seleccionador nacional e ex-sócio da Olivedesportos António Oliveira concedeu ao canal televisivo RTP Informação, só pode surpreender quem não tem acompanhado de perto o fenómeno futebolístico dos últimos anos e as consequentes mutações que o mesmo tem sofrido.



O Sistema que o ex-presidente leonino António Dias de Cunha popularizou (com êxito diga-se de passagem) mas que além da Arbitragem não conseguiu introduzir a totalidade dos seus intérpretes, foi mais uma vez posto a nu, de uma forma desassombrada, desta feita por uma pessoa insuspeita e que tem profundos conhecimentos das estratégias under the table, gizadas e protagonizadas pelos mais proeminentes estrategas da organização. Sendo logicamente desvalorizado pelos seus principais intérpretes e por aqueles que colhem mais benefícios, e não obstante a Comunicação Social ser também ela refém da teia de influências - a par aliás de outros sectores como a Política e a Justiça -, torna-se cada vez mais difícil esconder a transversalidade dos jogos de bastidores e a teia de influências que compõem não apenas o futebol nacional, mas por tabela a sociedade portuguesa.



Ao longo de toda a entrevista (a espaços um monólogo face à surpresa do pivot da estação e dos comentadores ‘residentes’), António Oliveira dissertou sobre várias matérias de uma forma perfeitamente natural, revelando conhecimento, segurança, e sobretudo desassombro e coragem, coisas que não são normais num país em que se sabe que as coisas existem e que são abordadas nos bastidores, mas por razões da mais diversa índole - i.e. resignação e receio por via das variadíssimas experiências fracassadas e dos inúmeros processos arquivados ou favoráveis ao círculo - poucos o assumem em público de uma forma peremptória, aumentando por isso o grau de especulação e não contribuindo para o esclarecimento dos temas, evitando assim a possibilidade de desenvolvimentos de outra ordem, quiçá mesmo de natureza legal.



Não se poderá por isso falar de polémica tal a forma como António Oliveira expôs os assuntos e a crueza com que os abordou sem subterfúgios ou simulações. Transmitiu a sua opinião com o conhecimento que lhe advém de ter estado por dentro da temática, focou pormenores e não se constrangiu em falar de pessoas que, em sua opinião influenciaram, e de outras que se deixaram influenciar com o simples aceno da cadeira do poder, ou até mesmo de simples migalhas. Para dar maior verosimilhança até falou dele próprio, assumindo mea culpa do tempo em que ocupou o lugar de seleccionador nacional... promovido pelo Sistema.



Afirmar como afirmou que quer Gilberto Madaíl quer agora Fernando Gomes foram colocados no lugar de presidentes da Federação a instâncias do Sistema, não pareceram, de forma nenhuma afirmações gratuitas ou com meras intenções de denegrir as personalidades em causa. Pelo contrário, vieram confirmar as múltiplas reservas que sempre mereceram aos mais desligados e independentes, a forma de eleição de pessoas para cargos da maior relevância desportiva.



Mas, a afirmação mais contundente foi sem dúvida o pragmatismo com que se referiu ao lóbi da Olivesportos, defendendo que enquanto se mantenha a influência que tem, jamais o futebol português caminhará para o tão desejado progresso e desenvolvimento, o que confirma, preto no branco, o que neste e noutros espaços vem sendo defendido e que muitos optam por designar de teorias de conspiração. Da mesma forma que foi preciso esperarmos pelo Youtube para materializar certezas, esperamos que as declarações de AO, por serem por demais evidentes, possam contribuir para que se abandonem em definitivo as teses mais puristas e do mar de rosas que se vive.



Enquanto os clubes da I e II Ligas se mantiverem agrilhoados e dependentes das nuances do Sistema, não haverá progresso, porque não só nunca poderão impôr as suas ideias, como estão sujeitos às suas imposições. Veja-se por exemplo a ditadura dos direitos televisivos que amarra os clubes aos superiores interesses de outrem e que obriga a que os espectadores interessados (sejam eles dos estádios ou televisivos) tenham que ter uma maratona de jogos fora dos dias e a horas impróprias. E veja-se também o que se passa com a renovação dos citados direitos por parte do Benfica e que depois do próprio presidente ter referido que eram para fechar até 31 de Dezembro de 2010, ainda persiste a discussão não se sabendo ainda qual a solução final para a questão.



Esta é a prova provada dos interesses poderosos que se movimentam na área e que tentam obstar por todos os meios, que alguém se comporte como ovelha tresmalhada. Já acontecera com Vale e Azevedo que foi alvo de uma perseguição insana logo que assumiu a presidência encarnada em 1997 e denunciou o acordo. Acontecendo a deserção do Benfica, tal facto poder-se-ia vir a revelar extremamente perigoso para o Sistema, pois aparte o natural rombo financeiro, abrir-se-ia um grave precedente que poderia a vir a ser seguido por outros clubes no futuro. Ora isso não pode de maneira nenhuma acontecer... e quiçá as negociações colectivas contribuam para a solução? Com as condições da outorgada Olivedesportos, obviamente...



Se olharmos para aquilo que se passa em algumas Ligas europeias, observamos que a negociação dos direitos televisivos é negociada globalmente, sendo depois o bolo distribuído com base em critérios previamente definidos e onde são considerados vários factores, nomeadamente a importância dos clubes e o seu contributo para as audiências verificadas. Cá pelo burgo, já várias opiniões se têm manifestado a favor da adopção desse princípio. Ainda agora, na entrevista programática que concedeu, o candidato a presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional António Laranjo, referiu que esse é um dos pontos do seu programa, que, no entanto, só pode avançar com o beneplácito dos clubes da I e da II Liga o que porventura será complicado dado que praticamente todos eles estão engessados (para utilizar a expressão tão cara a António Oliveira), tendo mesmo alguns acordos com prazos dilatados e com cláusulas de salvaguarda. O Sporting por exemplo negociou até 2018 e o direito de preferência cabe inclusive à própria Olivedesportos, podendo renovar até 2021.



Seja como for, esta é uma matéria de capital importância e, quando mais se adiar a ruptura com a Olivedesportos, mais tempo vai imperar a influência nefasta do Sistema no futebol português. Será que os clubes não pagaram já a sua dívida e contribuiram q.b. para o império de Joaquim Oliveira coadjuvado pela banca - que certamente não terá grande interesse que os seus devedores caiam? No imediato, o encerramento do capítulo da renegociação dos direitos televisivos por parte do Benfica assume, assim, foros de grande importância, não sendo por isso difícil adivinhar as expectativas que está a criar...



Já dizia Martin Luther King, Jr. que «Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.»




obrigado ao Anti-Benfica.COM

aqui:http://www.anti-benfica.com/artopiniao_perspectiva_real_do_sistema.php
por karlos