sexta-feira, 30 de abril de 2010

A REVOLTA DOS BENFIQUISTAS

 
Quem tem por hábito acompanhar os seus clubes por esse país fora sabe que há uma realidade escondida semana após semana. Falo de questões de segurança.

Convencionou-se que preocupações organizativas, logísticas à volta da segurança dos adeptos, mais mediáticas do que efectivas, eram para serem mostradas ao país nos clássicos, derbys e em alguns encontros de campos "complicados", com má fama, como é o caso de Guimarães. Sempre que há problemas nestes ambientes, tudo é analisado até à exaustão. As vozes de sempre a criticarem adeptos, os mesmos dedos a apontarem as claques, e nada de problemas resolvidos.
No entanto, basta ir ver a nossa equipa a meia dúzia de estádios, sem contar com os já referidos, para se descobrir todo um fantástico mundo de irresponsabilidade e passividade.
Foi a minha ida a Braga no passado Sábado que me leva a escrever estas linhas.
Tenho por hábito acompanhar as deslocações do Benfica, desde há muito tempo, e sempre com uma das claques. Já me habituei ao tratamento animalesco a que somos sujeitos, tanto nas entradas dos estádios como durante os jogos.
Desta vez tinha a "companhia" de um PSP que estava mais preocupado com o facto de eu não poder dar um passo para o lado, onde ficaria a pisar o terreno sagrado de centenas de cadeiras vazias que separavam por metros a bancada dos bracerenses, do que em controlar as movimentações das bancadas superiores e laterais.
Tudo serve para os senhores agentes descarregarem a sua força autoritária, uma cadeira atirada sabe-se lá de onde, umas vozes mais irritadas com as provocações dos da casa ou outra coisa qualquer. Tanto faz, alguém paga. Vi um companheiro de bancada ser arrastado, literalmente, bancada fora porque alguem o viu atirar uma cadeira. Mesmo que a cadeira tenha voado do lado contrário onde o miúdo estava. Ir lá e refilar com os senhores agentes é a mesma coisa do que lhes pedir "bata-me com força e prenda-me". Sem exagero.
É um ambiente tão tenso quanto normal, o pessoal ao fim de uns anos habitua-se a ouvir barbaridades da boca dos homens que estão ali para manter a segurança pública. Um deles dizia-me momentos antes de Nuno Gomes cobrar o penalti: "Se você festejar o golo um metro que seja aqui para o lado, leva a contar!"
Ora, isto é fabuloso! Basta que umas dezenas de companheiros de bancada resolvam festejar o golo empurrando em direcção aos adeptos bracarenses, que minutos antes nos gritavam cara a cara: "filhos da putaaaa, slb", para eu ser arrastado até ao simpático PSP e levar a minha coça prometida.
Não cheguei a desejar o falhanço do Nuno Gomes, mas optei por mudar de lugar. Festejei mais à vontade.Quem costuma ir ver fora os seus clubes, sabe que estes episódios são constantes e já nem estranha. Cargas policiais injustificadas, detenções inexplicáveis, ameaças revoltantes, tudo situações que nos acompanham. Isto enquanto os preços dos bilhetes não páram de aumentar. Na minha cabeça impera uma lógica diferente da realidade, se pagamos mais então deviamos estar todos mais seguros.
A saída após o fim do encontro de Braga revelou a tal realidade escondida, aquela que nenhum jornal comenta, nenhuma televisão mostra, nenhuma rádio condena.
Mal acaba o jogo, que por acaso até foi bem quentinho nos últimos minutos, com ofensas e ameaças na bancada onde estavam as claques do Benfica, e as portas abrem-se sem preocupações nenhumas. Tudo cá para fora!
Se pensarmos que instantes antes os adeptos dos dois clubes, separados por dezenas de metros de cadeiras vazias, já se insultavam ferozmente, não é difícil adivinhar que assim que se encontrassem lá fora iria haver confusão.Foi o que aconteceu, uma autêntica batalha campal no imenso espaço entre a bancada e o parque de estacionamento. Valeu tudo!
Sair da porta do estádio e ver dezenas de pessoas a correrem em várias direcções a agredirem-se até aos limites do suportável, é uma visão assustadora. Vi um adepto do Braga já quase sem sentidos deitado no chão em muito mau estado, vi um adepto do Benfica a ser roubado e agredido por 4 ou 5 adeptos do Braga, vi dezenas de adeptos envolvidos em socos e pontapés. Acabei por ter de me envolver ao perceber que tinha amigos possivelmente envolvidos naquela onda de violência. Enfim, momentos vergonhosos e tensos.
Onde estavam os guardiões da segurança?! Dentro do estádio, encostados às pedreiras, talvez a guardarem as tão preciosas cadeiras! Mau demais.
Depois, já no carro a sair de Braga continuamos a ver miúdos do Braga com paus e pedras na mão à procura de alvos. Penso no rapaz estatelado no chão, penso na vergonha que foi não haver polícia ali, penso na irresponsabilidade que é deixarem os adeptos das duas equipas sairem ao mesmo tempo ainda com as emoções bem presentes, penso na maneira como sou tratado 90 minutos e fico revoltado.
Penso que daqui a uns meses a claque do Braga vai à Luz, parte cadeiras, insulta à vontade, e ninguém lhes toca, porque estão rodeados de polícia e seguranças, param o autocarro à porta da bancada e só saem quando ninguém lá estiver. Um luxo.
Como (ainda) não foi desta que morreu alguém para encher de sangue os media portugueses, vamos continuar alegremente a conhecer esta realidade escondida pelos campos fora.
Se não for pedir muito, quando houver alguma vítima mortal fruto de toda esta irresponsabilidade, ao menos que não seja eu.
seja eu.
Publicado por João Gonçalves






 No céu lá no alto a águia vitória voara para todos, mas todos, os grandes Benfiquistas no Mundo ...


aqui: http://redpass.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de Abril de 2010


País Hipócrita, Benfica Sem Medo

Estou a achar delirante todas as notícias vindas a público durante esta semana.

Então temos que todos os dias uma casa do Benfica é vandalizada, curiosamente os maiores destaques foram para as de Braga, Ermesinde e... Porto.

Depois podemos facilmente encontrar na imprensa preciosidades como estas:



"Os Super Dragões acabaram de adquirir 3500 bolas de golfe... "



"Elementos de um núcleo da Juve Leo e mais uns tantos dragões e não posso divulgar de que zona "são esses núcleos para não descobrir os valentes rapazes, vão unir forças no domingo à tarde e aguardar pela passagem do comboio entre Ovar e Gaia..."



"Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, reconhece que os ânimos estão exaltados e não garante que não ocorram confrontos entre membros das duas claques. "Por muito que eu tenha boa vontade, que a polícia tenha boa vontade e que toda a gente tenha boa vontade, depois de tudo o que se passou neste campeonato, é normal que todos os adeptos se sintam revoltados e com os nervos à flor da pele. Vamos tentar que as coisas corram pelo melhor, mas vai ser muito difícil"



E há mais. Se formos aos espaços de blogues e redes sociais é uma festa.

A questão é que todo este discurso nortenho de incentivo à violência, de intimidação, a transpirar raiva e ódio por todos os poros nem é novo. Em 2005 na véspera de viajarmos para o Bessa na última jornada a comunicação social achou que devia de divulgar um comunicado da mesma gente avisando que não iam deixar que nenhum benfiquista festejasse na cidade do Porto. Assim mesmo, como se aquela gente fosse dona e senhora (e representante) daquela zona do país. Depois foi o que se viu.



Portanto, continuamos a ter as mesmas ameaças, o mesmo apelo à violência ( que de resto está publicado para quem quiser ler no livro "o Líder" )a partirem da mesma gente que não tem problema em dar a cara. O país assiste a tudo com indiferença e até deixa escapar um sorriso com a história das bolas de golf.



Onde está o sempre activo Miguel Sousa Tavares que tantas vezes escreveu a sua indignação por não se poder ser do Porto em Lisboa?! Ele que inventou isto mesmo com a história da capital a desmenti-lo ano após anos. Basta recuarmos 4 anos e digam-me quantos portistas foram espancados, quantas vezes os portistas foram ameaçados, e quantos vezes os portistas não puderam invadir alegremente o eixo avenida da República - Marquês de Pombal para festejarem os seus campeonatos ganhos?! Digam-me porque eu não me lembro de nenhum caso.

Já agora digam-me também quantas vezes a casa do FC Porto na Av. da República foi vandalizada?

Miguel Sousa Tavares não tem nem uma palavra para todas estas ameaças públicas aos adeptos do Benfica? Sousa Tavares não se incomoda que os cidadãos portuenses e benfiquistas não possam festejar em liberdade um campeonato ganho pelo seu clube? Estranho o silêncio do "democrata" Tavares.



E que papel tem a nossa imprensa e os seus colunistas? Divulgam-se ameaças de um líder de um gang, avisam-se cabeças porque vem aí uma chuva de bolas de golf a norte e tudo o que o resto do país faz é olhar para os filhos da capital que andam sempre atrás do Benfica e dizer hipocritamente: tenham cuidado, rapazes! ou não vão ao Porto porque só se vão meter em chatices ou aquilo é muito perigoso!



Há alguma lei diferente para aquela região do país que permita que os auto-aclamados guardiões da cidade ameace os adeptos de um clube só por ódio? Claro que há!

Imaginem que o FC Porto vinha jogar a Lisboa no fim do Campeonato quase campeão e que na semana do jogo apareciam líderes de claques legalizadas (sim, pelos vistos as legalizadas podem ameaçar com propriedade) a avisar que o ambiente ia ser terrível, que não prometiam que não houvesse ataques a adeptos rivais e a anunciar 3500 bolas de golf, etc... O que acontecia?

Os telejornais abriam com Pinto da Costa indignado, o Governo era chamado à conversa, os editoriais dos jornais multiplicavam-se em crónicas de espantos e intolerância perante os arruaceiros, até o Prós e Contras da RTP seria dedicado à violência das claques.

Quando é ao contrário nada se passa. O medo toma conta do sul. Centenas de adeptos recuam perante a possibilidade de terem problemas a caminho do estádio, as nossas mãe e avós deprimem-se a caminho do dia 2 Maio ( por ironia é o dia da Mãe ), as nossas mulheres ficam em pânico disfarçado, os nossos familiares preocupam-se, os nossos amigos não compreendem o nosso masoquismo.



Mas eu pergunto; é suposto fazer o quê? Ficar em casa de braços cruzados a ver na tv só porque é mais seguro? Nós que estivemos em quase todos os campos deste país de norte a sul passando pela Madeira vamos ignorar um jogo na cidade do Porto só porque há uns bravos guardiões que não querem lá ninguém do clube Campeão?

Eu acho que não.

Acho que devemos ir todos.

A resposta dos benfiquistas dá-me razão. Os 2550 bilhetes a que temos direitos já têm donos. Todos sem medo. Medo de quê? Era só o que faltava neste país se eu não pudesse ir a um estádio de futebol ver o meu clube jogar porque existem uns gangs que se acham acima da lei e que querem fazer a sua própria lei.



Meus amigos, isto é o Benfica. Os nossos jogadores, dirigentes e técnicos vão ao Dragão para ganhar. O Benfica vai defrontar pela 3ª vez esta época o FC Porto e até agora a nossa equipa ganhou 2 jogos marcou 4 golos sofreu zero ganhou 3 pontos e ergueu uma Taça. Temos medo de quê!? De quem não sabe reconhecer a nossa superioridade? Temos medo de um povo que se agarra a uma equipa regional para mostrar ao país todos os seus complexos de inferioridade em relação à Capital?! Isso é um problema deles. Sempre foi, sempre será.

Nós somos o Benfica e estamos com a nossa equipa de futebol.



Continuem a vandalizar casas, agridam, partam, roubem, façam o que quiserem e o que vos apetecer (mesmo porque nada nem ninguém ousa vos contrariar no vosso território) mas tenham lá paciência porque vão mesmo levar connosco.

E pensem que mais de dois mil rapazes da Luz juntos e fartos de ameaças e com vontade de mostrar que não têm medo são muitos rapazes. Pensem também que toda a força policial que nos vai rodear e nos tornar um alvo fácil para os vossos ataques pode não ser suficiente para controlar as nossas vontades. Sabem, é que eu no meio de dois mil e tal amigos também sou um Guerreiro Herói do caraças. Ainda para mais em território onde impera a lei do mais forte e onde a liberdade é coisa para ser gozada só em tons de azul.



Envergonhe-se o resto do país que assiste a tudo isto impávido e sereno que prefere olhar com pena para os que ousam enfrentar os todo poderosos donos da Sicília do norte.

No espaço de 5 anos vão ter que nos ouvir duas vezes a festejar. In your face como dizem os americanos.

Aí vai o Benfica, deixa passar o maior de Portugal que hoje, como no tempo da ditadura, ousa enfrentar os ditadores/corruptos/mafiosos que se acham acima de tudo e de todos.



PS: os meus rivais são os lagartos. Não por serem muito diferentes, que não são, mas porque eu é que decido quem escolho para meu rival e eu escolho os lagartos da mesma cidade que o meu clube. Os outros são apenas mais uns nos odeiam e eu retribuo o sentimento. Nada mais.



PS2: a ironia do destino pregou valente partida aos tripeiros. Eles que inventaram o discurso das conquistas pós 25 de Abril empurrando o Benfica para clube da Ditadura. Os factos falam por si: 20 anos de conquistas com frutas, chocolates e apitos dourados. Dois campeonatos do Benfica conquistados no Porto que em desespero usa a Ditadura da violência para impedir festejos. Não é preciso dizer mais nada quanto à diferença de culturas.

Publicada por J G em 17:28 ShareThis






Somos a águia que no céu vai voar. Alto mais alto, ninguém nos vai parar. Somos a raça, a força e o querer. Benfica, vencer, vencer. ...


O nosso canto é o desejo de vitória

Nosso destino é o de vencer

Nosso caminho é de fama e de glória

Nada temos que temer

Somos leais mas o jogo é pra ganhar

Dentro do campo a sofrer

As camisolas vermelhas a suar

Benfica Vencer Vencer





Somos a águia que no céu vai voar


Alto mais alto ninguém nos vai parar


Somos a raça a força e o querer


Benfica Vencer Vencer..



Somos a águia que no céu vai voar.
 Alto mais alto, ninguém nos vai parar.
 Somos a raça, a força e o querer. Benfica, vencer, vencer. ...







aguiaR

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